A relevância do equipamento

O José Fortes costuma dizer “Até com bons microfones se faz bom Som”.
O equipamento é uma peça chave no processo de conceção de uma música.´
É fundamental em qualquer das etapas.
Precisamos de equipamento para tocar as músicas que criamos, instrumentos.
Precisamos de equipamento para gravarmos essa mesma música: microfones, gravadores, monitores e toda uma parafernália de outros brinquedos que nós, os “ratos de estúdio”, quase gostamos mais do que da própria família.
A importância da qualidade (preço) deste equipamento tem de ser posta no seu devido lugar: já ouvi Excelentes gravações feitas com Bom e Mau equipamento e Más gravações com Bom e Mau equipamento. O fator humano não está fora desta equação.
Há um elemento muito importante numa gravação ou mistura e que não é o equipamento: a acústica das salas. Podemos comprar os melhores monitores do mundo, mas se a sala onde misturamos não estiver corrigida é quase o mesmo que ter monição do chines. Como exemplo dou a minha control room inicial aqui no estúdio. Tinha uma determinada orientação em termos de posicionamento na sala. Na primeira mistura que fiz o som estava fantástico. Quando fui ouvir no carro soava como se tivesse um pano em frente das colunas. Consegui resolver o problema com a ajuda do Engenheiro Jorge Castro*, que me reposicionou a sala e me fabricou um difusor que ainda hoje está no mesmo sítio.
O mesmo se passa com a gravação. Um microfone de 20.000€ numa casa de banho não vai transforma-la num Abbey Road.
Em contrapartida mesmo numa sala não corrigida o conhecimento acústico que o técnico tiver da sala é fundamental e suficiente para a mistura sair excelente ou péssima.
Comecei por trabalhar num estúdio pequeno durante muitos anos. A acústica obrigava-me sempre a usar “Eq” logo na gravação. O equipamento, quando comecei e tirando uma ou outra peça, não era topo de gama. No entanto, na altura, consegui obter bons resultados. Foi para mim uma escola em termos de dar aos instrumentos os timbres que lhes eram devidos ou que pretendíamos que tivessem.
Claro que quando as condições acústicas estão garantidas o bom equipamento pode fazer a diferença. E faz especialmente a diferença na facilidade e tempo com que se chega ao resultado pretendido. Uma voz gravada num bom micro, salvo em situações particulares, como quando por exemplo se pretende uma espécie de Low-Fi, ou quando um micro barato soa melhor numa determinada voz do que um micro melhor o que também pode acontecer (raramente), faz toda a diferença. Mesmo entre equipamentos topo de gama, uns são mais que outros. E já tive essa experiencia varias vezes. Por exemplo numa gravação com o Carlos do Carmo estávamos a gravar com um Neumann (topo de gama) quando entretanto chegou outro Neumann “mais topo de gama que o primeiro” e a diferença foi abismal. E não fui só eu a reparar. Isto verifica-se para todos os equipamentos com que trabalhamos dentro de um estúdio.
Claro que, se me perguntarem que equipamento prefiro, sou humano: topo.
Tenho gostos simples: gosto do melhor!

* Engenheiro Jorge Castro - fundador e dono da Art Novion

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