ESTILOS DE MISTURA

Existem diferenças sónicas no estilo de gravação de um disco? Sim, existem e provavelmente já nos perguntamos o porquê de sonoridades tão diferentes entre discos do mesmo género musical.

Embora a relação “onde e por quem” o disco é gravado ou “misturado” tenha diminuído, ainda tem uma influência direta na sua sonoridade final.

Até final dos anos 80, era relativamente fácil distinguir a proveniência de uma gravação, apenas pelo seu som.

A partir da década de 80, houve uma homogeneização gradual de estilos, motivada, numa primeira fase, pelo facto dos engenheiros começarem a trabalhar em diferentes locais, mudarem de estúdio ou mesmo mudarem-se para outras áreas do globo. Esta alteração na “residência” dos engenheiros foi disseminando os seus estilos e sonoridade ao longo do percurso.

Mas afinal que diferenças são essas?

Existem três estilos de gravação principais onde se enquadra a maioria dessas diferenças: Nova York, Los Angeles e Londres.
e o outro.

New York

É provavelmente o estilo mais fácil de identificar, caracteriza-se pelo uso de muita compressão, tornando a mix muito “punchy” e agressiva. Em muitos casos, os instrumentos são comprimidos (principalmente a secção rítmica) varias vezes ao longo do “chain”.
E deste estilo que vem o conhecido “New York Compression” também chamada Compressão Paralela.

Los Angeles

O som LA e ligeiramente mais natural. Ele é comprimido, mas em muito menos quantidade que no estilo “New York”. Tem também bastante menos camadas de efeitos ou “effect layering” que o estilo de “Londres”.
Sempre teve como base a captação de um bom momento musical, dando apenas um ligeiro “improvement” sonoro e não um recrear através de várias ferramentas.

Londres

Tem como base a utilização de varias camadas de efeitos, e partilha um pouco o uso da compressão com “New York”, mas sempre lidando com varias camadas de efeito.
Este estilo usa extensivamente a “perspetiva”, que coloca cada instrumento num ambiente sonoro distinto.
Estas “perspetivas” podem mudar ao longo do arranjo. Isto quer dizer que, ao longo de uma música o verso pode aparecer com uma “perspetiva” diferente do refrão. Alguns para criar apenas um efeito, outros para alterar a dinâmica.

Com o surgir das novas tendências musicais dos anos 2000, começou diminuir a diferença entre estilos, embora continuem a existir variações.
Podemos reparar nelas se ouvirmos Techno, Dance, Hip-Hop, etc., onde a localização geográfica influencia imenso a sua sonoridade.

e o outro é: Nashville

Embora não esteja referenciado como um dos principais estilos, é importante não esquecer Nashville, que continua a diferenciar-se de todos os outros.

Foi popularizado entre 1940 e 1950 por ter “strings” suaves e grandes refrões, assim como “backvocals” sofisticadas e tempos rítmicos suaves. É relativamente fácil reconhecer o estilo de Nashville ouvindo um disco Country.

A partir de 1960 a sonoridade de Nashville sofreu uma grande modificação devido ao apelidado “Countrypolitan”. Chet Atkins chegou mesmo a afirmar, numa entrevista, que o Country já não era o mesmo e que se tornara no som do dinheiro.

O que Chet Atkins referia, deveu-se ao facto de nestes anos existir uma invasão de som britânico nos “pop charts”, obrigando desta forma a uma mudança, da sonoridade, outrora chamada de “honky tonk music”, para um country mais pop em Nashville, podendo competir dessa forma nos “charts”.

Nos tempos de hoje Nashville é quase como uma Meca para um “songwriter” ou para músicos e engenheiros que gostam de realmente gravar música “live and real”.

O estilo de vida “globetrotting” dos anos 90, levou também a uma mudança, radical, na forma como olhamos para os estúdios de gravação e sobre os métodos que passamos a usar para fazer discos. Isto levou a uma homogeneização de estilos. Os engenheiros residentes dos estúdios, hoje em dia são substituídos pelo mercado predominante composto por freelancers que viajam de estúdio em estúdio, de projeto em projeto, mudando varias vezes de cidade.
Embora a destinção seja cada vez menor, a filosofia mantem-se entre engenheiros de “Top”, passando dessa forma para os assistentes, que um dia passam para outro assistente…

A grande diferença continua a ser marcada pelos “layers” de efeitos: Londres mais, N.Y. menos mas mais “punchy” e L.A. ainda menos efeitos convencionais, sendo substituídos por efeitos Live.